segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Eu sou um gerente macho? (1)




Recentemente, num debate sobre coaching e liderança, um executivo me disse que era um ideal inatingível ansioso para encontrar a paz no clima de uma organização que realmente as pessoas e colaboradores em geral só trabalham porque eles precisam de um salário para viver e sobreviver.

Por isso, disso, não é necessário envolver essas pessoas na toma de decisões e menos pretender encontrar e chegar a um consenso para gerir organizações. Ele terminou seu discurso dizendo que era válida a velha expressão que diz: "vara e estrague".

Este gerente, cuja manifestação concorda com o famoso conceito de gestor de alpha Male manager, ou seja, o "gerente machista", é o gerente que conduz através do medo, até de terror. É dominante, agressivo e impulsivo ... obviamente não escuta, porque ele acredita ter sempre a razão.

Quando pergunta sobre que hora é, grande parte de sua equipa, que realmente devem ser marcadom como subditos ou subordinados, eles tem que responder: "a que os senhor quera". E, sobre a famosa declaração de que "vara e estrague" a verdade é que a regra de madeira com borda de alumínio que corta, a que se aplicava em outros tempos, as pontas dos dedos em cima das crianças, permitem-nos reconhecer que embora "o sangue saiu, a letra nunca chegou".

O mundo globalizado tornou-se democratico, graças à comunicação e ao conhecimento. É a democracia é o paradigma político mais reconhecido e respeitado no mundo, mas apesar das suas deficiências como sistema é superior a regimes ditatoriais, autocráticos e monárquicos. Grandes impérios e culturas desapareceram para essas posições. Aqui está uma anedota do rótulo antigo monárquico na Europa, onde nenhum mortal comum ou plebeu podia tocar o corpo imaculado da realeza. Num passeio, o cavalo da rainha fugiu e o seu pé ficou preso no estribo. A rainha foi arrastada e a sua vida estava em perigo. Dois subordinados foram nos seus cavalos para lhe ajudar e fazendo um esforço supremo, que custou a vida de um deles conseguiram libertá-la e salvar a sua vida. Quem sobreviveu teve de fugir da pena de morte seria que lhe iam impor porque tinha violado a regra não poderia colocar as suas mãos sobre o corpo sagrado da rainha nobre.

A grande questão é saber se gerentes monarquistas são uma espécie em extinção. Vamos ver se você é um deles:

1. Evitar por todos os meios que os seus subordinados tenham poder.
2. Não contrata pessoas talentosas.
3. Treinar as pessoas ou educar é um desperdício de tempo.
4. Não partilha informações
5. Não estabelece metas claras, a preocupar-se só pelo presente sem ver o futuro
6. Não dá ouvidos aos conselhos.
7. Evita a mudança porque acredita sempre que se têm feitas as coisas bem.
8. Inovar é muito caro, para ele é melhor copiar
9. Delegar responsabilidades, mas nunca o controlo.
10. Ele odeia escutar más notícias.


Se você respondeu sim a 5 de propostas ou ter estado em dúvida em 5 ou mais do mesmo ... então você pode continuar a ler este blog a segunda parte deste artigo nos próximos dias.

domingo, 6 de Dezembro de 2009

Como ser o "novo" num ambiente difícil



Muitas vezes tive consultas, em especial os jovens que começam as suas carreiras sobre como enfrentar um novo emprego.

Ocasionalmente, um entra a uma empresa e você vai encontrar com grupos muito fechados e até hostis. Às vezes, esses grupos são muito pressionados pelos seus chefes ou estão frustrados com os seus empregos, outras vezes as pessoas podem ser competitivas e de pouca confiança que contaminam todo o ambiente.

Partilho algumas dicas para se juntar a grupos fechados.

1.- Seja paciente e tenha objectivos realistas. Ninguém nunca vai gerar um impacto imediato sobre um grupo de pessoas ou ser aceitado por todos os membros desde o início.

2.- Sempre demonstre uma atitude positiva e vontade. Lembre-se que não só se comunica com palavras, mas com a linguagem do corpo.

3.- Tente conhecer aos seus colegas. Tente conversar com eles quando estão sozinhos e não há nenhum grupo. Em cada relação de igual para igual, e será mais fácil saber que o grupo lhe apoia.

4.- Tome a iniciativa. Se você ver que lá há um local disponível na mesa de jantar, pergunte educadamente se você pode acompanhá-los. Se você ver que está nas suas mãos ajudar alguém, ofereça a sua ajuda.

5.- Participar em todas as actividades que você goste e que partilham interesses em comum com o grupo ou os seus membros. Aceitar os convites que lhe fazem, especialmente em casa.

6.- Não caia na tentação de mexericar, já que geralmente acabam em mal-entendidos e os confrontos gerados em vão.

7.- O mais importante é ser você mesmo. Não tente impressionar ou você elogia a si mesmo, isso pode gerar uma má impressão.

Além disso, note que tão importante quanto o relacionamento com os seus pares é o relacionamento com o seu chefe ou superior de gestão. É aconselhável manter uma posição de lealdade e compromisso com a empresa, sem que isso signifique tornar-se um adulador do seu chefe ou uma pessoa tão obcecado em ser o favorito que gosta de fazer os outros ficarem mal. Por esta razão, quando você tem que trabalhar em grupo, não tente roubar a cena do outro lado, reconheça as realizações dos outros e assim a sua contribuição será mais apreciada.

Nós temos sido o "novo" em alguma oportunidade e mais cedo ou mais tarde conseguimos adaptar-nos ao ambiente.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Não fazer projecções, criar um novo futuro

As projecções da economia falharam em todas as áreas, porque não entendemos a natureza humana nem a mentalidade das pessoas, a emoção precede à razão.

Nenhuma decisão estritamente racional ou objectiva ao cem por cento, por trás e dentro de cada problema há muito de facto, muita fé e por vezes, um monte de ficção. Prever o futuro no passado é uma possibilidade adicional de fracasso.

Como tal, temos de criar o futuro. Construir o futuro implica ter uma visão e intencionalidade com uma dose de ductilidade para ter o que Richard Dawkins chamou "memória futura" de alguma forma, temos a imagens dinâmicas do que queremos ser e onde queremos chegar com a acção diária. Estudos têm identificado que os executivos de sucesso deve ir no futuro para o presente e do presente para o futuro no presente.

Não se preocupe se você errar, Preocupe-se em aprender. Enfrentar o futuro é entrar em território desconhecido, portanto, perceber acerca dele não ajuda muito, então devemos agir. Uma mostra é a natureza do nosso DNA, a célula-tronco no seu desenvolvimento comete erros e, em seguida, corrigir-se e continuar o processo evolutivo.

Actuar no mundo de hoje requer o desenvolvimento de uma forte intuição para tomar uma decisão importante, Peter Drucker, em 1954, disse: "Cuidado com os gestores intuitivos que vão desaparecer!" Hoje, temos de inverter o conceito: "Director não é intuitivo tende a desaparecer."

Por que devo educar-me financeiramente?

Alguns dias atrás, os peruanos foram visitados por Robert Kiyosaki, para partilhar a sua filosofia que é bastante difundida nas suas publicações, começando com o conhecido "Pai Rico, Pai Pobre".
Todas as pessoas devemos preocupar-nos pelas nossas finanças pessoais, e isso faz a diferença entre ganhar dinheiro e aqueles que não. O segredo?. Investir em activos que geram fluxos de caixa e, finalmente, permitem-nos ganhar dinheiro sem depender de um emprego. Provocativo, certo?.

Parece fácil, mas exige muita disciplina focalizada e talvez não todos a têm. Leia as obras de Kiyosaki, escutar, assistir a vídeos ou jogar os seus jogos ganha mudança em muitas motivações e as suas atitudes em relação ao dinheiro. Eu acho que é a sua maior contribuição.

Temos de estar motivados, mesmo que nem todos aspiram a ser milionários, o principal é saber que vamos melhorar nossas finanças pessoais e, assim, levar os nossos objectivos: um computador portátil, um carro, viagens, estudos de pós-graduação, e assim por diante.

É só isso?. Pelo contrário, é preciso saber como fazê-lo na vida real. Isso significa classificar as minhas contas e saber escolher entre os tipos de activos para investir. Isto é onde muitos ficam paralisados, porque existem tantas variáveis e muita informação. Essa é precisamente a educação financeira. Para entender melhor as nossas opções e, para isso, não devemos ser estudiosos. Devemos ir a cada passo em frente. Os resultados vão chegar.

Algumas ideias iniciais:
- Você sempre pode salvar (embora seja um pouco)
- Temos que ser persistentes (se não pode obtenha ajuda)
- O financiamento pode ser entendido com o senso comum (olhar para onde vamos)
- Ter controlo das minhas finanças e não vice-versa (soa familiar?)

E você deseja fazê-lo?
Enrique Díaz (Ex-preseidente da CONASEV em Lima - Peru)

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Financeiras emprestam 5,6 milhões/dia ao consumo

Entidades financeiras com quebras de 22 por cento

As empresas de crédito emprestaram entre Agosto e Setembro 5,6 milhões de euros por dia para a compra de carro, artigos para o lar e crédito pessoal, entre outros. No ano passado, no mesmo período, os portugueses pediram 7,3 milhões de euros por dia para o consumo, segundo dados avançados pela Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC).


Revelando uma quebra de 22 por cento, estes valores dizem respeito apenas a uma parte dos créditos concedidos – não estão contabilizados os bancários –, mas são reveladores da redução no consumo de bens, já que a maior parte destas entidades concede crédito directo nas lojas. Cerca de dois terços do crédito concedido destinou-se à compra de automóvel, que regista agora uma quebra de 14 por cento face ao ano passado.

Mecanismos de apoio ao empreendedorismo

No âmbito da semana global do empreendedo-rismo, a Unidade de Transferência de Tecnologia (UATEC) da Universidade de Aveiro (UA) realiza na próxima quinta e sexta-feira, a primeira edição das Jornadas Empreende+, com o objectivo de dar a conhecer e promover um debate de alto nível sobre os mecanismos actualmente existentes de apoio à criação de empresas. A participação nesta iniciativa, que terá lugar na reitoria daquela instituição, a partir das 14h e é gratuita.

Durante estas jornadas, que envolvem a participação de representantes de bancos, empresários, sociedades de capital de risco, business angels e instituições públicas, os empreendedores e aspirantes a empreendedores vão poder conhecer os actuais e os novos mecanismos de apoio à criação de empresas e debater a sua real adequabilidade em face das necessidades.

Tendo por base que fomentar o empreendedorismo qualificado e de base tecnológica é um dos objectivos da UA, este evento englobará ainda o lançamento do Concurso de Ideias Empreende+.

Tecnologia ajuda a ultrapassar ciclos de negócio

Nova economia que emerge da crise internacional irá manter-se imprevisível

Mais de 90 por cento dos principais decisores das empresas acreditam que os ciclos de negócios na nova economia que está a emergir da crise internacional vão manter-se imprevisíveis nos próximos anos, segundo um estudo.

"Os principais decisores que responderam às 550 entrevistas em todas as regiões no mundo acreditam que as firmas que voltarem ao antigo modo de planeamento do crescimento e desenvolvimento de mercado serão ultrapassadas por aquelas que dominarem o uso da tecnologia num ambiente de negócios imprevisível", refere um estudo global elaborado da consultora Coleman Parkes Research em parceria com a HP.


O trabalho refere também que "as empresas confiam na tecnologia para as ajudar a ultrapassar os desafios decorrentes da imprevisibilidade do mercado e a antecipar as necessidades do seu negócio no futuro". Sete em cada dez decisores acreditam igualmente que a nova economia que está a emergir da crise vai alterar o modo de estruturar e planear os negócios.

O estudo dá igualmente conta de que três em cada quatro líderes de empresas consideram que "o seu departamento de tecnologia é um dos elementos fundamentais para o sucesso do negócio". Já oito em cada dez líderes pensam que a nova economia irá potenciar o uso generalizado das tecnologias para suprir as necessidades resultantes das condições de mercado.

"A tecnologia é a força que sustenta qualquer organização. Para alcançarem o sucesso, as empresas devem ser peritas na utilização das tecnologias, pois só assim conseguirão gerir mais facilmente a mudança e agarrar as oportunidades" disse a vice-presidente-executiva da área de Negócios Empresariais da HP, Ann Livermore.

Mudança orientada para a inovação

O estudo destaca também a mudança orientada para a inovação e a este nível refere que para 84 por cento dos líderes de empresas, a inovação é um factor crítico para o seu sucesso, no contexto da nova economia. O documento refere também que dois em cada três líderes estão a utilizar a tecnologia para identificar novas oportunidades de negócio.

A exigência para uma rápida mudança demonstra que 80 por cento das empresas afirmaram que a sua abordagem negocial e tecnológica deveria ser "muito mais flexível", para suprir as necessidades imediatas dos consumidores.

Este estudo foi realizado pela Coleman Parkes Research em parceria com a HP e teve por base 550 entrevistas, das quais 150 com presidentes-executivos/directores gerais e 400 com peritos em tecnologia.

O trabalho de campo foi realizado entre Setembro e princípios de Outubro e apenas foram incluídas empresas com mais de 500 colaboradores. Vinte e cinco por cento das empresas analisadas eram de média dimensão (500-999 colaboradores), sendo as restantes constituídas por mais de mil.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Planeta tem menos petróleo

O planeta tem muito menos reservas de petróleo do que as previsões oficiais indicam. A afirmação não pertence a nenhum ‘petrocéptico’, mas a um elemento de topo ligado à Agência Internacional de Energia, citado sob anonimato na edição de hoje do diário britânico The Guardian.

Segundo esta fonte, a entidade tem afastado deliberadamente a ameaça de uma escassez de petróleo por receio de uma vaga de pânico consumista, uma acusação que acentua a polémica em torno do rigor das estatísticas oficiais que os países usam como referência para as suas políticas.

O jornal cita o quadro da AIE, de acordo com o qual os EUA têm usado a sua influência junto da organização para que esta estime em baixa a taxa de declínio dos campos petrolíferos em actividade, ao mesmo tempo que estima em alta as possibilidades de serem encontradas novas reservas petrolíferas. A suspeita já não é nova, muitos dos especialistas ligados ao movimento do chamado “pico do petróleo” alertam há anos para esse risco, defendendo que a produção mundial já ultrapassou o seu pico e se encontra já em declínio. A questão torna-se agora ainda mais séria quando se reconhece que os números reais não saem a público por receio de uma grave crise nos mercados financeiros mundiais e na fragilização dos interesses americanos no acesso aos recursos petrolíferos.

No centro das dúvidas, estão as previsões da AIE, segundo as quais a produção mundial de petróleo pode ser elevada de 83 milhões de barris diários para 105 milhões – projecção que os críticos consideram carecer de evidência firme, uma matéria que, para países como o Reino Unido é especialmente grave, sobretudo depois de se ter tornado importador de petróleo, com o fim das suas reservas no Mar do Norte, desde 2005.

A fonte citada pelo Guardian, que pediu anonimato para evitar represálias da indústria, usa os números da própria AIE para explicar como o problema tem sido gerido. “Em 2005, a AIE previa que a produção de petróleo podia subir até 120 milhões de barris diários em 2030. Desde então, tem baixado gradualmente essa previsão para 116 milhões, depois para 105 milhões no ano passado”. E acrescenta: “o número dos 120 milhões de barris nunca fez sentido e mesmo os valores actuais são demasiado elevados para serem justificados e a AIE sabe isso”.

Admitir valores mais baixos, embora alegadamente mais próximos da realidade, poderão criar uma situação de ruptura no mercado petrolífero e o “receio de que o pânico se espalhasse pelos mercados financeiros, sendo que os americanos temem o fim da supremacia do petróleo, proque isso pode ameaçar o seu poder de acesso aos recursos petrolíferos”, adiantou a mesma fonte.

Outro elemento que já foi quadro de topo da AIE reconhece também que conheceu uma regra interna segundo a qual era “imperativo não enfurecer os americanos”, ao mesmo tempo que se aceitava que não havia assim tanto petróleo no mundo como se fazia crer.

Para o Reino Unido, estas suspeitas podem dar uma nova importância à conferência de Copenhaga, que discutirá o pós-Quioto dentro de menos de um mês, e as medidas para uma economia mundial com menores emissões de gases com efeito de estufa.

Especialistas da indústria petrolífera como Matt Simmons, recentemente entrevistado pelo PÚBLICO, ou Colin Campbell, co-fundador do movimento do pico do petróleo reforçam a necessidade de prudência a olhar para os números oficiais. O primeiro há vários anos que diz que as estimativas de reservas estão sobrevalorizadas, a começar pelas da Arábia Saudita. O Segundo até admire que se os números verdadeiros viessem a público, causariam pânico nos mercados financeiros “ e no final não aproveitaria a ninguém”.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Norma Zeppelli, uma embaixadora do Peru no Grupo Mota-Engil


Norma Zeppilli é licenciada em Engenharia Civil pela Universidade Católica do Peru e Mestre em Direcção de Empresas de Construção e Imobiliárias pela Universidade Politécnica de Madrid. Especializações em Finanças e em Negócios Internacionais pela Escola Superior de Administração de Negócios do Peru (ESAN) fazem ainda parte do seu Curriculum. Norma Zeppilli integra os quadros da Translei S.A., uma empresa de construção do Grupo Mota-Engil especializada em obras de terraplenagem e obras civis em geral que mantém uma das maiores frotas de equipamento de construção pesada no Peru.

Que funções desempenha na empresa e em que área?
Desempenho o cargo de Gerente Comercial e sou responsável pela obtenção de novos contratos para a empresa que permitam cumprir os objectivos de vendas estabelecidos. As minhas funções incluem identificar potenciais clientes e projectos adequados à empresa. Nesta avaliação e análise procuramos alianças com outras empresas do Grupo, ou outras empresas peruanas ou estrangeiras, que nos permitam um melhor posicionamento face à concorrência.

Como e quando se deu a sua integração no Grupo Mota-Engil?
Integrei o Grupo Mota-Engil em Setembro de 2007, após ter participado num processo de selecção para o cargo de gerente comercial encomendado pela Translei a uma empresa de head-hunting. Após vários meses de avaliações e entrevistas, fui seleccionada para o cargo. Nessa altura, eu trabalhava como gerente comercial noutra importante empresa de construção no Peru, mas tomei a decisão de integrar o Grupo quando conheci mais de perto a sua trajectória.

O que significa para si estar integrada numa estrutura com a dimensão do Grupo Mota-Engil (vantagens e desafios)?
Fascina-me a ideia de pensar que é possível aplicar toda a experiência do Grupo Mota-Engil no Peru. Há muitas obras a fazer no meu país, obras que o Grupo já fez noutras partes do globo, pelo que é muito positivo que toda essa experiência seja agora aqui aproveitada. O nosso desafio é identificar projectos interessantes para o Grupo que possam contribuir para o "Plan Ambición al 2013" através de uma participação mais activa das empresas do Grupo no Peru. Isto propiciar-nos-á um crescimento do mercado actual no Peru e permitir-nos-á actuar como uma plataforma para o desenvolvimento de mercados noutros países desta região do continente.

Fale-nos um pouco do seu trajecto profissional antes de integrar o Grupo...
Desde de me formar na universidade, há já quase 30 anos, o meu trabalho esteve sempre relacionado com o mundo da construção no Peru. Trabalhei para importantes empresas de construção, nas quais tentei dar resposta a desafios, tendo, nalguns casos, tido a sorte de poder concretizá-los. Ocupei o cargo de engenheira responsável pelos orçamentos, depois trabalhei como engenheira de controlo de custos e, posteriormente, fui ocupando cargos de maior responsabilidade, nomeadamente o de engenheira civil directora de obra e o de responsável pelo plano zonal de obra até ocupar o cargo de gerente comercial. Durante todo este tempo, quis manter-me sempre actualizada, tendo participado em cursos de reciclagem, pós-graduações e, por fim, um Mestrado, para me pôr ao corrente das novas tendências do sector.

No seu percurso no Grupo, identifique um projecto, desafio, ou contexto em que tenha gostado particularmente de estar envolvida.
O maior desafio que tive de enfrentar desde que integrei a Translei estava relacionado com a obtenção da concessão do porto de Paita por um período de 30 anos. Trata-se do segundo maior porto do Peru, depois do porto de Callao.
Este projecto implicou muitos meses de estudo e avaliações por parte da Translei e da Tertir, outra empresa do Grupo especializada em operações portuárias. Procedemos, em conjunto, a uma série de avaliações e estudos que culminaram na decisão de o Grupo apresentar uma proposta para que as obras do porto nos fossem adjudicadas, objectivo que foi recentemente concretizado. Esta adjudicação constitui um marco importante para a Translei, para a Tertir e para o Grupo Mota-Engil, na medida em que é o primeiro porto concessionado do Grupo fora de Portugal.

O que mais gosta de fazer quando não está a trabalhar?
Gosto de estar com a minha família e de praticar desporto, mas também gosto de participar em actividades colectivas e comunitárias.
Fui nomeada recentemente, para o período 2009-2011, para o cargo de Presidente do Comité de Infra-estruturas da Câmara Peruana da Construção (Capeco), no qual estão representadas as principais empresas de construção dedicadas às infra-estruturas públicas a operar actualmente no Peru. Este comité prossegue a promoção do desenvolvimento dos principais projectos que visam reduzir o fosso a nível de infra-estruturas no Peru e está em permanente coordenação com as autoridades governamentais, zelando por que as condições de contratação das obras públicas sejam as adequadas.

Indique um livro e um filme que a tenham marcado e partilhe connosco as razões para as suas escolhas...
Adorei ler o livro "O Monge que Vendeu o seu Ferrari (Uma Fábula Espiritual)", de Robin Sharma. É uma leitura muito adequada para as mulheres com carreira e leva-nos a reflectir sobre temas relacionados com o trabalho e com a vida familiar e pessoal.
Já não sou tão amante de cinema e, quando vou ver um filme, faço-o para descontrair. É por isso que sempre adorei "Música no Coração", que vi em criança e que voltei a ver depois disso várias vezes. É um musical que decorre durante a Segunda Guerra Mundial e que narra uma linda história de amor.

Se tivesse oportunidade de viajar no tempo para conhecer qualquer pessoa, quem escolheria (e porquê)?
Escolheria o Papa João Paulo II. Gostaria de poder sentir de perto a sua bondade, alegria e bom humor e de poder colocar-lhe muitas perguntas, porque foi uma pessoa que me inspirava muita confiança.


De uma forma geral, que características mais aprecia nas pessoas?
Considero a sinceridade e a tenacidade características importantes nas pessoas.

Indique uma característica que considere comum à Mota-Engil como Grupo e a si como pessoa, e que considere determinante para continuarmos a construir o futuro.
O Grupo Mota-Engil tem um plano de crescimento para o próximo quinquénio e eu, pessoalmente, gostaria que a continuação do meu crescimento profissional acompanhasse o crescimento da Translei e de todo o Grupo, de modo a construirmos o futuro que todos almejamos.

Moçambique: Banco de investimento luso-moçambicano entra em funcionamento em 2010


O banco de investimento luso-moçambicano deverá entrar em funcionamento no primeiro semestre de 2010. O anúncio foi feito pelo vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Francisco Bandeira ao jornal O País. O vice-presidente revelou que a equipa técnica que está a preparar o arranque da instituição financeira estará «nos primeiros dois meses de 2010 em condições de sujeitar o projecto à apreciação do Banco de Moçambique».

O banco luso-moçambicano terá um «capital social será de 500 milhões de dólares eleváveis para mil milhões», valor que será desembolsado em partes iguais pela CGD e pela Direcção Geral do Tesouro moçambicano. A sede do banco será em Maputo e estará centrado nas «infra-estruturas prioritárias ao desenvolvimento de Moçambique».

A instituição é fruto de um memorando assinado em Setembro passado, em Maputo entre os governos de Moçambique e Portugal.

domingo, 25 de Outubro de 2009

Homens Vs Mulheres (ou Mulheres Vs.Homens) no trabalho


Você que pensa? Iria corrigir ou acrescentar alguma coisa? Convido-vos a para reforçar reforzar o refutar essas conclusões.


AS MULHERES
»Elas vão a extremos, apoiam-se ou se matam una à outra.
»Suas reacções emocionais para os desafios são: choram ou gritam fascinadas.
»Necessitam provar-se: fazer um esforço duplo para demonstrar as suas capacidades.
»Gostam investir muitas energia para ganhar o poder.
»Elas são mais comunicativas e expressivas.
»São mais comprometidas com o seu trabalho.
»Elas são mais responsáveis.
»Colaboram para melhorar o ambiente de trabalho, são inclusivas.


OS HOMENS
»Eles são mais fáceis de entender.
»Não misturam a vida familiar, falam pouco.
»Procuram ser acréditados, precisam ser vistos.
»Eles são mais divertidos, menos formais.
»Eles são competitivos, matam por um emprego.
»Falam muito sobre futebol.
»Eles são menos homogéneos.
»Têm objectivos específicos.

MULHERES COMO CHEFES
»Mais flexíveis para entender as necessidades urgentes dos seus empregados e dar dias de folga. »São mais seguras para negociar.
»Geram diferenças com os seus pares (masculinos), porque não se percebe a equidade entre eles.
»Maior envolvimento com a família, mais difícil de deslocar para outro país.

OS HOMENS COMO CHEFES
»Têm pouco cuidado com os detalhes (por exemplo: podem esquecer o aniversário da sua secretária).
»Eles podem ser um pouco rudes e ferir susceptibilidades.
»Interferência ambiental de 20% da sua vida familiar no trabalho.
»Tendem a ser mais explosivos.
»Eles são mais dependentes dos assistentes.


Laura de Acha
Especialista em questões relacionadas com a Inteligência Emocional.

quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Sócrates junta-se a Barroso na defesa de taxa sobre operações financeiras

Sócrates junta-se a Barroso na defesa de taxa sobre operações financeiras

A medida está na agenda da cimeira extraordinária de líderes da União Europeia, convocada para preparar a reunião do G20, nos dias 24 e 25 em Pittsburg, nos EUA, disse à agência Lusa uma fonte diplomática portuguesa.



Jornal de Negócios com Lusa


O primeiro-ministro, José Sócrates, juntou-se hoje ao presidente da Comissão Europeia na defesa de uma taxa sobre as transacções financeiras entre bancos, assegurando que Portugal vai apoiar esta ideia, que "está na agenda" da reunião desta noite dos líderes europeus. Esta medida "está na agenda da cimeira extraordinária" de líderes da União Europeia, convocada para preparar a reunião do G20, nos dias 24 e 25 em Pittsburg, nos EUA, disse à agência Lusa uma fonte diplomática portuguesa.

O primeiro-ministro disse hoje ao Diário Económico que "Portugal vai defender que a União Europeia proponha, na reunião do G20, a criação, a nível internacional, de uma taxa generalizada sobre operações financeiras realizadas entre operadores financeiros". José Sócrates argumentou que a medida visa que "o sector financeiro suporte parte dos custos que os países tiveram que incorrer com a crise financeira".

A aplicação desta taxa, conhecida como taxa Tobin, já tinha sido defendida também pelo ministro das Finanças, que nos vários debates parlamentares em que tem sido confrontado com esta questão, principalmente pela esquerda parlamentar, tem respondido sempre que a medida faz sentido desde que seja aplicada por todos. Caso contrário, conclui o ministro, Portugal ficaria numa posição de desvantagem.

A aplicação da taxa Tobin, cujas receitas podem reverter a favor dos países pobres - criada pelo economista norte-americano James Tobin - tem o apoio expresso do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

Na terça-feira, José Manuel Durão Barroso manifestou-se, em Estrasburgo, favorável à ideia da taxa sobre as transações dos mercados financeiros, desde que seja aplicada a nível global. "Se for global, é evidente que apoio. Acredito que será uma excelente ideia", disse então Barroso perante o Parlamento Europeu, respondendo a uma questão de um eurodeputado.
O chefe do Executivo comunitário considerou ainda que as receitas obtidas com este imposto poderão permitir, por exemplo, "combater a fome no mundo".

A reunião dos líderes europeus, esta tarde em Bruxelas, vai aprovar as recomendações que os países da União Europeia levarão à cimeira do G20, no final do mês. Depois, caberá aos líderes dos vinte países mais ricos a decisão final sobre quais as recomendações a aprovar.











G20
Sócrates defende nova taxa sobre operações interbancárias


José Sócrates defende a criação de uma nova taxa generalizada sobre operações financeiras , de modo a gerar receitas para colmatar parte da pesada factura que os Estados tiveram de suportar no resgate do sector. O valor seria simbólico e apenas aplicável às operações interbancárias.



Eva Gaspar
egaspar@negocios.pt


José Sócrates defende a criação de uma “nova taxa generalizada sobre operações financeiras”, de modo a gerar receitas para colmatar parte da pesada “factura” que os Estados tiveram de suportar no resgate do sector.

A notícia é avançada pelo “DE” que cita o primeiro-ministro que estará esta noite em Bruxelas numa cimeira extraordinária convocada para acertar posições, no seio da União Europeia, com vista ao encontro do G20 que terá lugar na próxima semana em Pittsburg, nos EUA.

"Portugal vai defender que a União Europeia proponha na reunião do G20 a criação, a nível internacional, de uma taxa generalizada sobre operações financeiras realizadas entre operadores financeiros", revelou ao Diário Económico, o primeiro-ministro. José Sócrates justifica a medida com o objectivo de que "o sector financeiro suporte parte dos custos que os países tiveram que incorrer com a crise financeira", acrescenta o jornal.

Ao Negócios, o porta-voz do primeiro-ministro precisou esta manhã que José Sócrates espera que o assunto seja abordado no encontro desta noite, mas sublinhou que se trata de uma proposta ainda vaga. Para já, Lisboa defende que uma nova taxa deve ser leve, eventualmente em torno de 0,1%, e aplicável apenas às operações interbancárias, e não às que envolvem as operações com os clientes – que, mais cedo ou mais tarde, tenderão, porém, a ver-lhes reflectido o respectivo custo.

Sugestões idênticas têm vindo a ser avançadas por alguns responsáveis políticos, e mesmo do sector. Adair Turner, coordenador de um dos mais detalhados estudos sobre a reforma do sistema financeiro mundial e presidente da autoridade máxima de regulação do sistema financeiro britânico (a Financial Services Authority, ou FSA) defendeu uma proposta semelhante no fim de Agosto.

Num artigo de opinião, que fez então manchete no “Financial Times”, o autor do “Relatório Turner” diz que a criação de um imposto global sobre transacções financeiras, em termos idênticos ao que foi proposto pelo economista James Tobin (embora este sugerisse que a receita fosse canalizada para ajudar os países mais pobres) pode dar um contributo para garantir que a banca passará a funcionar numa base mais sã.

Turner começava por contestar os prémios chorudos que continuam a ser pagos no sector, afirmando que se tornaram incompreensíveis e incomportáveis para a sociedade. Mas considerava que estes se tornaram sobretudo num tema “populista” que, na verdade, tem uma importância menor, e que acaba por desviar a atenção das mudanças mais profundas que terão de ser introduzidas na banca.

“Se queremos pôr termo a pagamentos excessivos num sector que tem vindo a ‘inchar’ é preciso reduzir o sector ou passar a aplicar impostos especiais sobre lucros antes de remunerações”.

Lord Turner dizia-se ainda “muito favorável” a que sejam consistentemente aumentados os rácios prudenciais na banca, acreditando que este será o melhor instrumento para eliminar excessos, quer de actividade quer de lucros, que a actual crise veio relevar assentarem muitas vezes em pés-de-barro.

As suas palavras foram recebidas com grande cepticismo por parte de vários banqueiros e o próprio Governo britânico manteve-se numa posição recuada – ao contrário do português.

Investidores recorrem ao crédito em dólares

Investidores recorrem ao crédito em dólares

O dólar prossegue a rota descendente contra o euro e os especialistas acreditam que nos próximos seis meses a divisa norte-americana vai permanecer frágil face às principais moedas internacionais, de acordo com um inquérito realizado pela agência Bloomberg.



Susana Domingos
sdomingos@negocios.pt


O dólar prossegue a rota descendente contra o euro e os especialistas acreditam que nos próximos seis meses a divisa norte-americana vai permanecer frágil face às principais moedas internacionais, de acordo com um inquérito realizado pela agência Bloomberg.

Ontem, por alguns instantes, bastava um euro para adquirir 1,47 dólares, que é o mesmo que afirmar que um dólar comprava apenas 0,68 euros. Desde finais de Setembro do ano passado, que esta barreira não era ultrapassada. E não é só contra o euro que o dólar está em queda. A descida observa-se contra as principais moedas mundiais, como a libra esterlina ou o iene japonês.

Começa a ganhar robustez a tese de que há uma mudança de fundo na dinâmica cambial mundial. Até pelo menos 2001, o Japão era o grande "banco" dos investidores estrangeiros, já que a deflação que se abateu sobre a economia nipónica obrigou a manter os juros em 0% durante cerca de uma década.

Assim, um investidor que quisesse maximizar o retorno dos seus investimentos, pedia um empréstimo no Japão, convertia o capital em ienes para outra divisa de uma economia onde os activos tivessem associados juros mais elevados. Este tipo de movimentos é denominado por "carry trade". A Suíça, embora com menos intensidade que o Japão, era também usual para este tipo de movimentos.

Há um número crescente de especialistas a acreditar que agora é a vez do dólar ocupar o lugar que a divisa japonesa mantinha no "carry trade". Os juros directores nos EUA estão próximos de zero - o financiamento no mercado, para um período de quatro meses, ronda os 0,43%, de acordo com os juros da Libor -, os estímulos à economia deverão manter-se por um período indeterminado e não se espera, pelo menos para já, uma explosão da inflação.

Assim, parece fazer sentido, dizem os especialistas, que os investidores peçam crédito nos EUA, convertam o dólar em outra moeda e invistam nos activos de mercados que oferecem elevadas rendibilidades. Ao aumentarem a pressão de venda sobre o dólar, a divisa norte-americana cai ainda mais. Esta estratégia de investimento está longe de estar isenta de riscos.

Governo poupa nos salários dos funcionários à custa de mais contratos a termo

Governo poupa nos salários dos funcionários à custa de mais contratos a termo

Nos últimos quatro anos, o Governo conseguiu reduzir o peso das despesas com pessoal sobre a economia. mas equanto a factura salarial baixava nos funcionários do quadro e nos que têm contratos por tempo indeterminado, os gastos com os chamados contratos "precários" registaram um disparo entre 2005 e o ano passado.

Raquel Martins
raquelmartins@negocios.pt


Nos últimos quatro anos, o Governo conseguiu reduzir o peso das despesas com pessoal sobre a economia. mas equanto a factura salarial baixava nos funcionários do quadro e nos que têm contratos por tempo indeterminado, os gastos com os chamados contratos "precários" registaram um disparo entre 2005 e o ano passado.

Na edição de hoje, o Negócios faz um balanço das reformas que foram feitas na Administração Pública nesta legislatura, não deixando de apresentar uma perspectiva mais a longo prazo, neste caso dos gastos com o pessoal na última década.

Além do já habitual protagonista, o Negócios entrevistou ainda Pedro Camões, professor de Administração Pública na Universidade do Minho sobre o balanço do que foi feito e das suas consequências na máquina do Estado.

No que toca às propostas eleitorais, a análise do Negócios permitiu concluir que os partidos com maior expressão na vida política portuguesa prometem continuar a reestruturar o sector público, mas com modelos distintos. CDS/PP quer definir quais os cargos de dirigentes que devem ser escolhidos por confiança política, enquanto Louçã e Jerónimo desejam acabar com os contratos individuais de trabalho e aumentar os vencimentos dos trabalhadores nos próximos 4 anos .

Gastos com pessoal têm vindo a reduzir-se

Evolução do peso das despesas com salários da função pública no PIB

quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

VAMOS LEVAR A BANDEIRA DA HST E AMBIENTE DE PORTUGAL E BRASIL à ANTARTICA

VAMOS LEVAR A BANDEIRA DA HST E AMBIENTE DE PORTUGAL E BRASIL à ANTARTICA

A EHS Portugal e a EHS Brasil estão unidas no sentido de levarmos as respectivas bandeiras em representação dos que se preocupam pelo Ambiente nos países Lusófonos.

Para alcançar este objectivo, precisamos que apoie este projecto.

Vote e ajude que as bandeiras lusófonas se destaquem no horizonte de gelo branco.



Obrigado pelo V/ apoio.

Para Votar basta que entre no link:
http://www.blogyourwaytoantarctica.com/blogs/view/588

e clique em "Vote for me"


Data: 2009-08-30

PREÇOS DOS SEGUROS AUTOMÓVEL E ACIDENTES DE TRABALHO VÃO SUBIR

O preço dos seguros automóvel e de acidentes de trabalho vão aumentar, para compensar a subida dos custos com sinistros e acomodar o impacto das alterações regulamentares que vão entrar em vigor a partir de Dezembro.

A ideia foi ontem deixada pelo presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), Pedro Seixas Vale, num encontro com jornalistas. E é subscrita pela Marsh, consultora especializada no sector segurador, que admite que a inversão da tendência de quebra de preços possa ocorrer já no segundo semestre deste ano.


Data: 2009-09-04
Retirado: In Jornal de Negócios (Portugal)

segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Novo Governo herda 70% dos custos das obras públicas

Transportes
Novo Governo herda 70% dos custos das obras públicas
Nuno Miguel Silva
07/07/09 00:05


Um documento colocado a discussão pública prevê 30 mil milhões de investimentos em transportes até 2020.

A cerca de três meses do fim do mandato, o Governo lança a debate público o Plano Estratégico de Transportes (PET), um documento que define um programa de investimentos de 29,2 mil milhões de euros até 2020, dos quais 70%, mais de 20 mil milhões de euros, deverão ser assumidos durante a próxima legislatura.

Pompidou volta a atacar

Pompidou volta a atacar
2009-06-22 16:42:51

Cidade do Norte de França, quase na fronteira com o Luxemburgo, Metz foi escolhida para receber uma “filial” do Centre Pompidou de Paris, uma das mais importantes instituições culturais do país, com um acervo que ultrapassa as 60.000 obras de arte. Projectado pelos arquitectos Shigeru Ban e Jean de Gastines, e com a função de dar a conhecer a arte da nossa época em qualquer das suas formas, o futuro Centre Pompidou-Metz (www.centrepompidou-metz.fr) só abre na Primavera de 2010, mas a primeira exposição já está definida: intitulada Chefs-d’oeuvre?, reunirá trabalhos de grandes artistas como Matisse, Picasso, Tinguely, Man Ray e Braque, entre outros. Para já, decorre uma iniciativa pré-inaugural, designada Constellation, com mostras em diferentes espaços da região e que se prolonga até 4 de Outubro.

Petróleo cai para mínimo de cinco semanas com quebra da procura

Energia
Petróleo cai para mínimo de cinco semanas com quebra da procura
Pedro Duarte
06/07/09 07:42


Os preços do crude estão em queda pela quinta sessão consecutiva, devido à especulação de que a diminuição da procura nos EUA vai levar a um maior aumento dos inventários.

Às 7h29, o barril de ‘brent’ (petróleo de referência para as importações portuguesas) para entrega em Agosto descia 0,78 dólares para os 64,83 dólares em Londres, enquanto que à mesma hora o contrato de Agosto do West Texas Intermediate (petróleo de referência nos Estados Unidos) seguia a cair 1,50 dólares para os 65,23 dólares em Nova Iorque.

Os peritos explicam a descida dos preços do petróleo com as expectativas de que a recessão vai continuar a afectar negativamente a procura de combustível nos EUA e também com a subida do dólar nos mercados cambais, o que reduz o interesse pela compra de matérias-primas como meio de defesa contra a inflação.

“O dólar subiu, e isso significa uma descida dos preços do crude. Olhando para os fundamentais do ponto de vista dos inventários, notamos que estes ainda estão muito altos, em particular os inventários de derivados”, disse um gestor da Mitsubishi Corp. à Bloomberg.

Cinco maiores bancos apoiam projecto para o BPP

Cinco maiores bancos apoiam projecto para o BPP
Maria Teixeira Alves
07/07/09 00:10


CGD, BCP, BES BPI e Totta estão, pela primeira vez, de acordo com a solução desenhada para o BPP.

Pela primeira vez, os maiores bancos portugueses estão de acordo com a solução que está a ser desenhada para o Banco Privado e respectivos clientes de retorno absoluto. Segundo soube o Diário Económico, a CGD, o BCP, o BES, o BPI e o Santander Totta estão disponíveis para ser parte da solução que está a ser desenhada pela Privado Holding, liderada por Diogo Vaz Guedes, e pelo potencial comprador do BPP, Duarte d´Orey.

O projecto, que vai permitir reembolsar os clientes do retorno absoluto e recapitalizar o BPP, que passará a actuar no mercado com outro nome, já está concluído, mas aguarda o parecer informal das autoridades governativas, para ser formalmente apresentado ao Banco de Portugal. Não foi possível confirmar oficialmente, mas fontes falam de uma reunião hoje entre o Ministro das Finanças e o Governador do Banco de Portugal sobre o futuro do Banco Privado.

O segredo para Portugal é a diferenciação

Ensino Superior
O segredo para Portugal é a diferenciação
Pedro Quedas
07/07/09 00:05


O maior desafio para uma economia de pequena dimensão como a portuguesa, sem a possibilidade de produção em escala global, passa pela diferenciação.

É esta a opinião de Paulo Ferrão, director do MIT Portugal, que defende que o caminho a seguir é a especialização num "conjunto de actividades de grande valor acrescentado para que se diferencie num mercado global, promovendo assim um desenvolvimento económico mais sustentável". O próprio tema da conferência mostra que o caminho é a engenharia.

Árabes investem 250 milhões em ‘resort’ de luxo no Algarve

Árabes investem 250 milhões em ‘resort’ de luxo no Algarve
Ana Baptista
07/07/09 00:05


Donos do Pine Cliffs Resort estão a desenvolver um projecto com hotel, campo de golfe e 550 casas.

A IFA Hotel and Resorts, o grupo árabe dono do Pine Cliffs Resort, no Algarve, continua a apostar em Portugal e principalmente na região Sul do País. Além de continuarem a investir no desenvolvimento deste resort de cinco estrelas perto de Vilamoura, os investidores árabes e o seu parceiro português, United Investments Portugal (UIP), estão a preparar um investimento global de 250 milhões de euros num novo resort de luxo em Loulé, Algarve. Um projecto que será construído ao longo de dez anos e que poderá mesmo atingir os 400 milhões de euros quando estiver totalmente concluído, explicou ao Diário Económico Carlos Leal, director-geral da UIP.

Situado em Vale do Freixo, no concelho de Loulé, freguesia de Benafim, este projecto terá um campo de golfe de 18 buracos, um SPA e um boutique hotel "que não terá mais de 60 a 70 quartos". Além disso "vai ter uma grande componente imobiliária, com vivendas ao estilo do Pine Cliffs, sendo que no total, com quartos de hotel, vivendas e apartamentos, estão previstas 550 unidades de alojamento, qualquer coisa como 2200 a 2500 camas", explicou Carlos Leal.

quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Bancos facilitam a corrupção em países pobres

Agora entendem porque os bancos abrem nestes países.

CORRUPÇÃO:
Bancos facilitam a corrupção em países pobres
Marina Litvinsky

Washington, 13/03/2009, (IPS) - Alguns dos principais bancos do mundo facilitam a corrupção nos países mais pobres, diz um estudo da organização independente Global Witness.

O novo informe, intitulado “Diligencia indevida; como os bancos fazem negócios com regimes corruptos”, mostra a forma com que, ao criar vínculos com obscuros clientes em países ricos em recursos naturais, vários bancos facilitaram a corrupção e o saque estatal, o que impede essas nações de terem oportunidade de sair da pobreza e deixarem de ser dependentes da ajuda externa.

“A mesma regulamentação branda que criou a crise de créditos faz com que alguns dos maiores bancos do mundo facilitem o saque de recursos naturais de Estados pobres”, disse o diretor de campanhas da Global Witness, Gavin Hayman. Esta organização sem fins lucrativos se dedica à pesquisa sobre causas e efeitos da exploração da riqueza natural no mundo. “Se recursos como petróleo, gás e minerais realmente existem para ajudar a tirar a África e outras regiões da pobreza, então os governos devem assumir a responsabilidade de impedir que os bancos façam negócios com ditadores corruptos e com suas famílias”, acrescentou.

O informe cita vários clientes de determinados bancos na Guiné Equatorial, República do Congo, Gabão, Libéria, Angola e Turcomenistão. Nesses países a riqueza natural está sendo, ou foi, saqueada por uns poucos, seja para enriquecimento pessoal, para fortalecer o poder de um ditador que viola os direitos humanos ou para financiar guerras devastadoras. Entre os bancos mencionados estão Barclays, Citibank, Deutsche Bank e HSBC. Quase todas as instituições bancárias incluídas no informe são de alto alcance internacional e todas proclamam seus compromissos de responsabilidade social. Mas, segundo o trabalho, há uma enorme brecha entre esse discurso e a realidade.

A renda com recursos naturais oferece uma potencial saída para a pobreza a muitos países em desenvolvimento. Mas estes ganhos, que poderiam ser destinados ao desenvolvimento, são malversados, usurpados por altos funcionários do governo ou usados para ajudar regimes que oprimem seu próprio povo. “Os bancos fornecem o mecanismo para que haja corrupção em torno dos recursos naturais”, disse Anthea Lawson, da Global Witness. Entre a evidência apresentada no informe está o caso do banco Barclays que manteve conta aberta para Obiang, filho do ditador da Guiné Equatorial, mesmo muito depois de se tornarem públicas provas de que a família estava envolvida na usurpação das riquezas petrolíferas dessa nação.

Em 2004, o banco Riggs entrou em colapso como resultado de uma investigação de um comitê do Senado norte-americano, na qual se descobriu que mantinha contas em nome do ditador da Guiné Equatorial Teodoro Obiang, bem com de membros de sua família e de seu governo corrupto. Apesar disso, seu filho, que como ministro da Agricultura e florestas no governo de seu pai tinha salário de US$ 4 mil mensais, ainda tinha conta aberta no Barclays em novembro de 2007. O informe assinala que enquanto seu país continua sendo um dos mais pobres da África, ele possui uma mansão de US$ 35 milhões em Malibu (EUA) e gastou US$ 6,3 milhões na compra de automóveis nos últimos 10 anos.

Também está mencionado o caso do Citibank que facilitou o financiamento de duas guerras civis em Serra Leoa e Libéria ao permitir ao ex-presidente liberiano Charles Taylor, agora julgado por crimes de guerra no Tribunal Penal Interacional de Haia, saquear as riquezas naturais de madeira. Como ficou evidente pela atual crise financeira internacional, o informe mostra que quando se trata de respeitar as regras os banqueiros fazem o menos possível. Procuram explorar todos os vazios e ambiguidades nas regulamentações e assumir suas responsabilidades no mínimo nível.

Isto ocorre apesar de uma série de leis contra a lavagem de dinheiro exigir dos bancos diligencia em identificar seus clientes e rejeitar fundos que tenham sido adquiridos de forma ilícita. Mas as atuais normas são ambíguas sobre até onde os bancos devem ir para identificar a pessoa real que está por trás das empresas. Ao aceitar estes clientes suspeitos ajudam direta ou indiretamente os que usam as contas do Estado para enriquecer ou oprimir seus povos, diz o informe.

O trabalho foi apresentado às vésperas da reunião do G-20 prevista para sábado em Londres, onde será analisada a atual crise financeira mundial. “Os líderes do G-20 devem agir sobre suas promessas de ajudar os pobres do mundo. Um elemento-chave para acabar com a pobreza é por fim ao dinheiro roubado ou sacado do orçamento, em primeiro lugar. Evitar este tema deixaria o sistema financeiro global aberto não só a novos fluxos de dinheiro corrupto, mas também às influências desestabilizadoras que causam tanto dano às economias do mundo industrializado”, disse Hayman.

(IPS/Envolverde) (FIN/2009)

quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Finanças criam nova alternativa aos certificados de aforro

Poupança
Finanças criam nova alternativa aos certificados de aforro
Rui Barroso e Sandra Almeida Simões
25/06/09 00:05




O Ministro das Finanças apoia uma emissão de dívida pública aberta aos particulares, que pode vir a fazer concorrência aos certificados de aforro. Os especialistas aplaudem a medida.

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, afirmou ontem que vê com "simpatia" a possibilidade de se fazer uma emissão de dívida pública destinada aos cidadãos nacionais. Os analistas contactados pelo Diário Económico aplaudem a criação de um instrumento alternativo aos certificados de aforro e consideram que "faz todo o sentido" alargar as emissões de dívida ao retalho.

Para Teixeira dos Santos essa operação traria vantagens: "Seria uma forma de fomentar a aplicação das poupanças dos cidadãos em produtos que são praticamente de risco nulo, como seja a emissão de dívida pública", cita a agência Lusa.

Em geral, as emissões de Obrigações do Tesouro (OT) e de Bilhetes do Tesouro (BT) estão reservadas a investidores institucionais. "Formalmente nada impede um investidor de retalho de investir em Obrigações do Tesouro. O que se passa é que na prática isso não é possível porque as OT transaccionam-se em OTC (fora de bolsa) e a liquidez em bolsa é reduzida", explicou ao Diário Económico Rui Dias, analista de dívida da Caixa BI.

quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Mais de um milhão de euros para promover o país em Moscovo, Varsóvia e Helsínquia

Turismo
Mais de um milhão de euros para promover o país em Moscovo, Varsóvia e Helsínquia
O Governo vai investir 1,12 milhões de euros na promoção de Portugal em Moscovo, Varsóvia e Helsínquia, potenciando o início dos voos regulares da TAP para essas três cidades, afirmou à Lusa o secretário de Estado do Turismo




A partir de hoje a TAP começa a voar de forma regular, com cinco voos semanais, para Varsóvia e Moscovo e a partir de quarta-feira para Helsínquia.

«Nos três anos que vale o contrato assinado entre o Turismo de Portugal, a TAP, a ANA e a Associação de Turismo de Lisboa no sentido de financiar campanhas de marketing, vão ser investidos 500 mil euros em Moscovo, 417 mil euros em Varsóvia e 200 mil euros em Helsínquia», afirmou à Lusa o secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade.

«Será um total de 1,12 milhões de euros comparticipados em 500 mil euros pelo Turismo de Portugal»,
acrescentou.

Segundo o secretário de Estado, o estabelecimento destes voos regulares com uma companhia aérea de bandeira abre boas perspectivas para que esses mercados continuem a crescer.

«Estes mercados tem vindo a crescer para Portugal a dois dígitos e com estes voos regulares, vão crescer mais», afirmou.

«Até ao presente momento, temos 16 mil reservas asseguradas para Moscovo, 15 mil para Varsóvia e 10 mil para Helsínquia», adiantou.

«Isto representa um esforço de visibilidade nestes mercados assinalável, que permite olhar para estes mercados de forma mais activa do que tínhamos vindo a olhar»,
acrescentou Bernardo Trindade.

É nesse sentido, disse o secretário de Esatdo, que vão as campanhas promocionais que Portugal está a desenvolver nestas três cidades através da rádio, televisão e outdoors (painéis de rua).

Partido Socialista Europeu mantém oposição a nomeação de Durão Barroso

UE

Partido Socialista Europeu mantém oposição a nomeação de Durão Barroso

O Partido Socialista Europeu (PSE) reafirmou-se hoje contra a reeleição de José Manuel Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia e pediu aos líderes europeus que não designem o antigo primeiro-ministro português na cimeira da próxima semana



«Dissemo-lo antes das eleições (europeias), e depois das eleições dizemos exactamente o mesmo: o PSE não pode apoiar a reeleição de Barroso», afirma o presidente dos Socialistas Europeus, Poul Nyrup Rasmussen, numa nota divulgada hoje em Bruxelas, dois dias depois de Durão Barroso ter anunciado a candidatura a um segundo mandato.

Na sequência das eleições da semana passada para o Parlamento Europeu, os Socialistas Europeus mantêm-se como a segunda principal família política da assembleia, mas foram os grandes derrotados do escrutínio, ao perderem peso no hemiciclo, que continua a ter uma maioria do Partido Popular Europeu (PPE), que apoia a recondução de Durão Barroso.

«Nós não somos de forma alguma os únicos a opor-nos a outros cinco anos de Barroso. Ele é o candidato do PPE e agora, tal como antes, a sua reeleição está longe de ser um acto consumado», afirma, todavia, Rasmussen.

As palavras do presidente do PSE chocam, no entanto, com as posições de apoio à recondução de Durão Barroso já assumidas por vários líderes socialistas e/ou sociais-democratas europeus, tais como o primeiro-ministro José Sócrates e os chefes de Governo britânico, Gordon Brown, e espanhol, José Luís Rodriguez Zapatero.

Reunidos na próxima semana numa cimeira de chefes de Estado e de Governo da UE, os líderes dos 27, com base numa proposta que será apresentada pela actual presidência checa, deverão designar Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia 2009/2014, de modo a que a sua eleição tenha lugar já na sessão constituinte do 'novo' Parlamento Europeu, entre 13 e 15 de Julho, em Estrasburgo.

Na nota hoje divulgada, o presidente do PSE insta os chefes de Estado e de Governo dos 27 a não tomarem qualquer decisão «apressada», sustentando que «uma designação prematura minaria tanto a próxima Comissão como o próximo Parlamento Europeu», até porque uma decisão só deve ser tomada depois do referendo irlandês ao Tratado de Lisboa.

Como resultado das eleições europeias realizadas entre 04 e 07 de Junho nos 27 Estados-membros da União, o PPE, onde têm assento os deputados portugueses do PSD e CDS-PP, mantém a mesma percentagem na nova assembleia, passando de 288 deputados num total de 785 (36,69 por cento) para 267 nos 736 assentos da nova câmara (36,28).

O PSE é o grande perdedor, passando de 217 eurodeputados em 785 (27,64) para 159 em 736 (21,60), enquanto a terceira família política do Parlamento Europeu será a liberal do ALDE, que desce ligeiramente de 100 lugares em 785 (12,74) para 81 em 736 (11,01).

Estes resultados mantêm a correlação de forças anterior que permitiu a escolha de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia em 2004.

Lusa/SOL

segunda-feira, 8 de Junho de 2009

A Era da Turbulência

Revista de Economia Política
Print version ISSN 0101-3157
Rev. Econ. Polit. vol.28 no.2 São Paulo Apr./June 2008
doi: 10.1590/S0101-31572008000200012
RESENHAS






A Era da Turbulência
Alan Greenspan (org.)
Rio de Janeiro: Campus

Instigante. É a primeira idéia que vem a cabeça de quem teve o prazer de ler as quase 500 páginas desta auto–biografia de um dos economistas mais importantes da atualidade. Por um lado, a leitura de "A Era da Turbulência" mostra claramente que o seu autor tem uma visão de mundo que muitos no Brasil chamariam de neo–liberal. Em alguns trechos, Alan Greenspan faz uma defesa quase que apologética da economia de livre–mercado. Isso certamente irá desagradar as pessoas que acreditam que o futuro da humanidade é o socialismo. Por outro lado, o "velho maestro" é pragmático o suficiente para reconhecer não só o seu papel limitado como presidente do FED para a fase de maior prosperidade na economia dos Estados Unidos após o colapso do Sistema de Bretton Woods, como também o papel necessário da política monetária como estabilizador das economias capitalistas modernas.

Um primeiro aspecto que chama a atenção do leitor de "A Era da Turbulência" é o método de análise de Greenspan como economista. Tomando como base a discussão feita por Tony Lawson sobre a natureza da economia heterodoxa, podemos afirmar, com pouca margem para dúvida, que Greenspan é um bom economista heterodoxo. Isso porque as suas análises como consultor de investimentos na Tonwsend–Greenspan e, posteriormente, como Chairman do Federal Reserve não se baseavam na aplicação de métodos econométricos sofisticados a uma massa de dados agregados; mas sim numa análise cuidadosa das séries econômicas a nível desagregado, extraindo–se inferências das mesmas tendo como base apenas a teoria econômica a nível mais elementar e o bom–senso. Sua desconfiança dos modelos econômicos e da econometria está apoiada na idéia de que as economias capitalistas são essencialmente dinâmicas (não–ergódicas). Dessa forma, a inferência estatística tende a produzir estimativas viesadas dos parâmetros das equações estruturais dos modelos econômicos.

Essa habilidade para extrair informações de uma massa de dados econômicos com o intuito de subsidiar a tomada de decisões foi extremamente útil para a condução da política monetária norte–americana na segunda metade da década de 1990. Com efeito, Greenspan relata que na reunião do FOMC de 24/09/1996, os diretores do FED estavam bastante receosos quanto ao ritmo de crescimento da economia norte–americana. Havia entre alguns diretores a sensação de que a economia dos EUA estava crescendo rápido demais e que isso iria, mais cedo ou mais tarde, causar uma aceleração da inflação, a não ser que o FED pusesse o pé no freio por intermédio de aumentos preventivos da taxa básica de juros. Greenspan estava convencido que um aumento da taxa de juros não era necessário. Sua intuição era que a revolução tecnológica promovida pela Internet estava acelerando o ritmo de crescimento da produtividade do trabalho de forma que a economia americana poderia crescer mais sem gerar pressões inflacionárias.

O problema com essa hipótese, como admite o próprio Greenspan na seqüência, era o fato de que os números oficiais de crescimento da produtividade não mostravam uma aceleração do ritmo de crescimento do produto por horas trabalhadas. Uma pessoa sem as habilidades de Greenspan facilmente concluiria que não havia razões para acreditar que a economia poderia crescer a um ritmo mais forte do que no passado sem gerar pressões inflacionárias. Mas não foi isso o que aconteceu com o "velho Maestro". Para ele havia algo de errado com os números oficiais de crescimento da produtividade, pois as empresas não iriam investir grandes somas de recursos em novas tecnologias de informação se isso não aumentasse a produtividade do trabalho e, portanto, os seus lucros. Assim ele pediu ao staff técnico do FED para fazer um desdobramento detalhado setor a setor da produção por horas trabalhadas de dezenas de setores não–agrícolas. A conclusão do relatório era que, com base nos números oficiais, não teria havido aumento da produtividade no setor de serviços, pelo contrário, a eficiência nesse setor estava diminuindo. Isso era uma prova irrefutável que os números oficiais estavam errados. Não havia, portanto, bases objetivas para justificar um aumento da taxa de juros. Mas também não havia elementos objetivos para sustentar a tese contrária de que a economia norte–americana não estava crescendo a um ritmo alto demais para manter a inflação estável. O FOMC teria que tomar uma decisão às cegas, num ambiente de total incerteza. Nesse contexto, a variável fundamental no processo de tomada de decisão, como diria Keynes, é o otimismo espontâneo ou animal spirits. Foi o otimismo espontâneo de Greenspan que levou os diretores do FOMC a manter inalterada a taxa de juros naquela reunião.

Outra característica heterodoxa do pensamento econômico de Greenspan é a forma pela qual ele vê o progresso econômico no capitalismo. O crescimento de longo–prazo das economias capitalistas é originado pelo crescimento da produtividade do trabalho que resulta do processo de "destruição criativa" de Schumpeter. Nesse contexto, a concorrência no capitalismo deve ser vista como um processo pelo qual as empresas inovadoras introduzem novos bens e novos processos de produção com o objetivo de sucatear as velhas tecnologias e se apoderar do mercado das empresas que não se mostrarem capazes de introduzir novos bens e novos processos produtivos. A essência do capitalismo é, portanto, a destruição do velho pelo novo.

Nesse contexto, não é surpreendente que o "velho Maestro" seja um defensor da tese de que a abundância de recursos naturais pode atrapalhar, ao invés de ajudar, o desenvolvimento econômico. Greenspan vê a assim chamada "doença holandesa" como um entrave ao desenvolvimento econômico. Isso porque a abundância de recursos naturais tende a produzir uma grande apreciação da taxa real de câmbio, a qual impede a industrialização da economia e a diversificação de sua base produtiva.

Se o processo de "destruição criativa" tende a aumentar o bem–estar econômico da sociedade ao resultar em aumentos da produtividade do trabalho; por outro lado, esse processo tende a gerar instabilidade e incerteza. O sucateamento das velhas tecnologias implica na demissão de um grande número de trabalhadores das empresas que ficaram para trás na corrida tecnológica. Nem sempre as pessoas demitidas dos "velhos setores" terão as habilidades e os perfis exigidos pelos novos postos de trabalho criados na esteira do processo de inovação. Para essas pessoas, a "destruição criativa" implica num período bastante longo de desemprego e queda de rendimentos. Mesmo os vencedores da corrida tecnológica não podem "dormir sob os louros" de sua vitória, pois em algum momento sua posição de "vencedor" será contestada pela introdução de novos produtos e novos processos. A única forma de se manter vivo ao longo desse processo é, portanto, inovar sempre. Isso gera um grande stress nas pessoas.

Nesse contexto, existiria um trade–off entre prosperidade econômica e "qualidade de vida". A concorrência Schumpeteriana é o motor do progresso econômico no capitalismo, mas traz consigo uma dose elevada de instabilidade e imprevisibilidade para a vida das pessoas.

Esse trade–off entre prosperidade e "estabilidade pessoal" explica a existência de diversas formas de capitalismo. Algumas sociedades, como os Estados Unidos, escolhem, por razões culturais ou de qualquer outra espécie, maximizar a prosperidade econômica. Dessa forma, os governos não oferecem quase nenhum tipo de proteção contra os efeitos deletérios da destruição criativa. Os setores que ficarem para trás na corrida tecnológica, como as siderúrgicas americanas face à concorrência de suas congêneres japonesas, são simplesmente deixados para trás e morrem. O nível de seguro desemprego tende a ser baixo nessas economias, de maneira que os trabalhadores têm pouca ou nenhuma proteção contra os efeitos da "destruição criativa" sobre os seus empregos. A maioria das sociedades européias, por sua vez, escolheu um modelo híbrido no qual os governos "protegem parcelas de suas populações contra o que consideram árduas pressões competitivas" (p. 259). O resultado desse modelo híbrido é, na visão de Greenspan, uma sociedade menos dinâmica e, portanto, menos próspera. Trata–se de uma questão de escolha, nenhuma alternativa é intrinsicamente superior a outra, tudo depende das preferências sociais.
Um campo no qual Greenspan se mostra surpreendentemente ortodoxo é na sua visão a respeito do papel da política monetária. Quando ele discorre sobre o papel da política monetária na promoção de um crescimento econômico robusto e estável, ele é bastante enfático na defesa da tese de que o papel do FED, ou de qualquer outro banco central, para a promoção do crescimento econômico é a manutenção da estabilidade de preços. Além disso, para que o Banco Central desempenhe adequadamente a sua função de "guardião da estabilidade de preços" é necessário que ele seja independente de forma a ficar isolado de pressões políticas.

A sua ortodoxia nesse campo fica também bastante clara quando ele disserta sobre as causas do crescimento acelerado da economia norte–americana durante a administração Clinton. O "Velho Maestro", ao contrário do que se poderia esperar, não atribui essa performance a uma condução bem feita da política monetária por parte do FED. Para Greenspan, a causa do crescimento acelerado com inflação baixa vivenciados nos Estados Unidos na década de 1990 é essencialmente não–monetária e deve ser buscada na difusão das novas tecnologias de informação, as quais permitiram um uso mais eficiente dos recursos disponíveis, aumentando assim a produtividade do trabalho (pp. 162–163). Esse aumento da produtividade permitiu uma redução da NAIRU, ou seja, da taxa de desemprego compatível com uma inflação constante ao longo do tempo. Nesse contexto, o papel do FED foi simplesmente o de facilitar o ajuste da economia a um nível de desemprego de equilíbrio mais baixo por intermédio de uma política monetária expansionista.

Fatores exógenos a economia norte–americana também contribuíram, na visão de Greenspan, para o crescimento acelerado com inflação baixa durante a administração Clinton. O primeiro fator foi a globalização e a queda do comunismo soviético. Esses dois elementos implicaram no deslocamento de grandes massas de trabalhadores para os mercados competitivos, gerando taxas de inflação salarial mais baixas e, por conseguinte, diminuindo a taxa de desemprego compatível com a estabilidade de preços. O segundo fator foi a aceleração do crescimento econômico dos países em desenvolvimento, principalmente no Sudeste Asiático, o que implicou numa redistribuição de renda a nível mundial dos países desenvolvidos, com taxas de poupança mais baixas, para os países em desenvolvimento que possuem taxas de poupança mais altas. Essa redistribuição de renda implicou, portanto, num aumento da taxa média de poupança a nível mundial, exercendo assim uma pressão baixista sobre a taxa real de juros de longo–prazo em todos os países do mundo. A redução da taxa real de juros de longo–prazo não só estimulou o investimento em capital fixo nos países desenvolvidos, principalmente nos Estados Unidos, aumentando assim o ritmo de crescimento econômico; como ainda induziu um processo cumulativo de aumento dos preços das ações e dos imóveis. Em outras palavras, a "exuberância irracional" do final da década de 1990 foi causada, entre outras coisas, por um excesso de poupança a nível mundial.

Um outro aspecto interessante a respeito do pensamento do Greenspan sobre a política monetária é a sua concepção extremamente original a respeito do processo de tomada de decisão a respeito do valor da taxa básica de juros. Aqui vemos outra vez o Greenspan heterodoxo em cena. A teoria da política monetária de livros–texto estabelece que a taxa básica de juros deve ser fixada de tal forma que, no cenário padrão dos modelos de simulação, a taxa de inflação convirja para a meta de inflação de longo–prazo perseguida (explicita ou implicitamente) pela autoridade monetária. Greenspan é um severo crítico desse procedimento. Sua abordagem para o problema se baseia no método do balanceamento de riscos. Com base nesse método, a autoridade monetária deve levar em conta não só o cenário mais provável, como também aqueles cenários com baixa probabilidade de ocorrência, mas cuja realização implique em custos econômicos muito grandes para a sociedade.

Em matéria de política fiscal, não se pode ter dúvidas quanto a ortodoxia do ex–chairman do FED. Ele é um defensor entusiasta da tese de que os déficits fiscais prejudicam o crescimento de longo–prazo. O seu argumento, contudo, não é simplório. Ele está perfeitamente ciente de que as taxas de juros de longo–prazo não são determinadas pelos fluxos de demanda e oferta de obrigações do tesouro, mas pela demanda e oferta das mesmas como estoque. Dessa forma, um aumento do déficit público teria um impacto negligenciável sobre a taxa de juros de longo–prazo, uma vez que os fluxos de novas emissões de obrigações são uma pequena parte do estoque existente desse tipo de ativos. O seu argumento é que um aumento do déficit público hoje, ao sinalizar para os investidores uma seqüência de déficits fiscais mais altos no futuro, irá gerar um aumento da taxa de juros de longo–prazo, com efeitos negativos sobre a acumulação de capital e o crescimento econômico (p.230). Nesse contexto, a política fiscal ótima é operar com déficit fiscal igual a zero. Para tanto, é necessária a introdução de regras fiscais claras que impeçam o governo de criar despesas sem a contra–partida de aumento de receitas tributárias.

Sua ortodoxia também fica bem clara quando ele disserta sobre os requisitos institucionais para um capitalismo bem sucedido, parafraseando o comentário de Keynes a Commons. Na visão de Greenspan, o crescimento econômico será maximizado num ambiente institucional no qual i) a economia esteja aberta a concorrência global por intermédio do comércio internacional; ii) haja uma clara definição e defesa dos direitos de propriedade; e iii) os formuladores de política econômica tenham sido bem sucedidos na tarefa de implementar as medidas necessárias para a estabilidade macroeconômica (pp. 242–243).

A visão política de Greenspan deve desagradar a muitos dos leitores de "A Era da Turbulência". O "Velho Maestro" afirma várias vezes que o capitalismo de mercado é a melhor forma de organização das sociedades humanas, pois proporciona o maior bem–estar econômico no longo–prazo. A democracia é funcional ao capitalismo porque permite que as tensões acumuladas pelo jogo da "destruição criativa" sejam liberadas sem ser por intermédio de forças disruptivas, ou seja, por intermédio de revoluções que ameacem o direito de propriedade. Ele também é um severo crítico do Estado do Bem–Estar Social. Para Greenspan, o welfare–state reduz a eficiência econômica e o impulso ao progresso porque desestimula os indivíduos a competir e assumir riscos; embora ele reconheça que o mesmo atende a uma necessidade básica dos seres humanos que é a estabilidade.



José Luis Oreiro
Professor do Departamento de Economia da UFPR e pesquisador do CNPq.


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BPN: "Não pensem que eu me demitiria a pedido" - Constâncio (ACTUALIZADA)

BPN: "Não pensem que eu me demitiria a pedido" - Constâncio (ACTUALIZADA)

Lisboa, 08 Jun (Lusa) - O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, garantiu hoje que não se demitirá na sequência do caso BPN, depois das críticas de todos os partido da oposição sobre a supervisão do Banco de Portugal (BdP).
Lusa

18:41 Segunda-feira, 8 de Jun de 2009





Lisboa, 08 Jun (Lusa) - O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, garantiu hoje que não se demitirá na sequência do caso BPN, depois das críticas de todos os partido da oposição sobre a supervisão do Banco de Portugal (BdP).

"Não pensem que eu me demitiria a pedido dos senhores deputados", afirmou Constâncio, na Comissão Parlamentar de Inquérito à Nacionalização do BPN (Banco Português de Negócios), que foi constituída em Novembro de 2008.

Vítor Constâncio respondia assim aos apelos da oposição, que pede a demissão do governador do Banco de Portugal e considerou que a sua demissão só poderá acontecer se for provado que participou em actos ilegais.

"A minha vida está limpa", garantiu o governador.

"[Não me demito] pelo respeito que tenho junto dos meus pares na Europa, e junto dos técnicos do Banco de Portugal", acrescentou.

Constâncio reiterou, ainda, a ideia de que se tem verificado uma atitude de "hostilidade visível" face à actuação do supervisor neste processo, sugerindo a realização de um estudo sobre qual é a actuação das instituições como o BdP.

"Não ficou provado nada nesta comissão parlamentar sobre o BdP e os seus agentes terem cometido qualquer irregularidade, dolo ou negligência" no caso BPN, disse Constâncio.

Vítor Constâncio, que continua a intervir no Parlamento, foi nomeado governador do Banco de Portugal em Fevereiro de 2000 e foi reconduzido no cargo em Maio de 2006.

RBV

Lusa/fim




BPN: "Não pensem que eu demitiria a pedido" - Constâncio
Lisboa, 08 Jun (Lusa) -- O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, garantiu hoje que não se demitirá na sequência do caso BPN, depois das críticas de todos os partido da oposição quanto á acção de supervisão do Bando de Portugal
(BdP).
Lusa
18:04 Segunda-feira, 8 de Jun de 2009




Lisboa, 08 Jun (Lusa) -- O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, garantiu hoje que não se demitirá na sequência do caso BPN, depois das críticas de todos os partido da oposição quanto á acção de supervisão do Bando de Portugal (BdP).


"Não pensem que eu me demitiria a pedido dos senhores deputados", afirmou Cosntâncio, na Comissão Parlamentar de Inquérito à Nacionalização do BPN (Banco Português de Negócios), que foi constituída em Novembro de 2008.

Vítor Constâncio respondia assim aos apelos da oposição, que pede a demissão do governador do Banco de Portugal e considerou que a sua demissão só pode acontecer quando é ele próprio culpado de actos ilegais,

"O meu lixo continua limpo como a minha vida está limpa", disse o governador do BdP.

"[Não me demito] pelo respeito que tenho junto dos meus pares na Europa, e junto dos técnicos do Banco de Portugal", acrescentou.


Vítor Constâncio tinha também em Novembro de 2008 falado perante os deputados da Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República sobre o caso BPN.


Vítor Constâncio foi nomeado governador do Banco de Portugal em Fevereiro de 2000 e foi reconduzido no cargo em Maio de 2006.



RBV

Lusa/fim

Euribor avançam em todos os prazos

Euribor avançam em todos os prazos
As Euribor subiram em todos os prazos, com o principal indexante do crédito da habitação em Portugal a avançar para 1,487%.

12:28 Segunda-feira, 8 de Jun de 2009




As taxas Euribor, praticadas nos empréstimos interbancários, subiram hoje, em todos os prazos, com a taxa a três meses a ganhar um ponto base, para 1,281%, segundo o fixing da Federação Europeia dos bancos.

A taxa a seis meses subiu para 1,487% e a 12 meses para 1,672%.

As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de bancos está disposto a emprestar dinheiro no mercado interbancário.

Economia: "Estabiliza, mas não recupera

Economia: "Estabiliza, mas não recupera"
Rosália Amorim
Sem uma recuperação em V, o L fica cada vez mais nítido.


Paul Krugman, Nobel da Economia, afirmou que a economia mundial está a demonstrar indícios de "estabilização, não de recuperação". Krugman disse, numa conferência em Dublin, que não está a haver uma melhoria, mas que "as coisas estão a piorar mais lentamente".

O entendido assegura que a economia "não está a sinalizar" uma recuperação em "V", mas sim um abrandamento da deterioração económica. Uma opinião que vem confirmar as previsões do economista Nouriel Roubini - durante anos considerado profeta da desgraça por prever o crash financeiro antes de todos os outros - que há muito alerta, no seu próprio site, para a hipótese de esta crise ser prolongada traduzindo-se num nítido L. Ou seja, queda abrupta, seguida de estagnação longa.

Voltando ao Nobel, Krugman disse também que os Estados Unidos poderão vir a precisar de "alguma forma de novos impostos" para ajudar a diminuir o défice do país. Apesar de considerar que a resposta tem sido "extraordinariamente agressiva", acrescenta que "infelizmente, não tem sido suficiente".

Parece não haver um xarope mágico que trate este mal. Resta-nos a esperança de que Roubini consiga vislumbrar na sua bola de cristal o momento da retoma.

17:44 Sexta-feira, 5 de Jun de 2009



As desilusões deste país
Rosália Amorim

A crise afecta muitas empresas e gestores. Os cidadãos apanham desilusões todos os dias. Depois da Opel, Qimonda e Autoeuropa, a ameaça na OGMA

Eduardo Bonini é um presidente bem disposto, conversador e optimista, fazendo jus à ideia que temos do povo brasileiro, uma vez que é essa a sua origem. Este gestor é o presidente da OGMA e esta semana está envolvo na polémica sobre o número de despedimentos que terá de fazer (ou rescisões amigáveis, como as empresas gostam sempre de chamar) até ao final do ano.

O seu optimismo é posto em causa, bem como o dos trabalhadores e dos portugueses que vêem na OGMA o último reduto da indústria de material aeronáutico, com sede em Alverca.

Há uns meses, quando visitei a OGMA, os hangares estavam repletos de aviões e helicópteros. Havia uma imensa adrenalina no ar e muito trabalho. Vi nos olhos dos colaboradores, com quem me cruzei e com quem falei, o orgulho em trabalhar numa industrial tão especial e fascinante como a dos aviões. Para muitos é um sonho de criança tornado realidade.

Também Eduardo Bonini queria ser piloto de aviões, mas nunca chegou a tirar o brevet. "Diziam-me que eu não cabia no cockpit", brincava, enquanto - em cima dos seus quase dois metros de altura - mostrava uma casa cheia e falava da recuperação da OGMA, com a ajuda da accionista Embraer.

O sonho de Bonini ficou semicumprido: não é piloto, mas trabalha com aviões. Espero que o sonho dos trabalhadores não fique também semi-cumprido: trabalhar com aviões hoje, ser despedido amanhã. É isso que receiam centenas de pessoas. Afinal, a lista de encomendas prevista para 2010 tem vindo a encolher, fruto da crise económica mundial.

O presidente previa um crescimento da equipa de 1669 para 2200 pessoas, recrutando 150 a 200 pessoas novas por ano. Tudo isto há menos de um ano. Tal como garantiu: "Eu vivo e alimento-me de desafios." E acrescentou: "Quero aumentar os negócios com a Embraer no que diz respeito a componentes e a materiais compósitos". Pois bem, está na hora de agarrar os desafios e fazer crescer esses negócios. Para que a OGMA não se junte à lista de desilusões deste país, como a Opel, em Azambuja, e a Qimonda, em Vila do Conde, para além da Autoeuropa, em Palmela, sobre quem paira um fantasma.

16:53 Sexta-feira, 29 de Mai de 2009



Patrões nacionais criam emprego
Rosália Amorim
Criar postos de trabalho em tempo de crise é uma ousadia. Um sinal de optimismo em relação ao futuro.

Zeinal Bava, CEO da Portugal Telecom; António Mexia, Presidente da EDP, Pedro Maria Teixeira Duarte, presidente da Teixeira Duarte, e Pedro Gonçalves, presidente da Soares da Costa, são alguns dos grandes patrões que estão a criar postos de trabalho em Portugal.

Numa altura em que a Qimonda tem ainda futuro incerto e a Autoeuropa anuncia cortes drásticos na mão-de-obra, faz falta quem anime o mercado do emprego no nosso país.

Conheça ofertas de emprego na edição da revista Exame, nas bancas no dia 28 de Maio. E veja o VÍDEO .

12:22 Segunda-feira, 25 de Mai de 2009









Maio, mês das "ganas"
Rosália Amorim
A persistência pode ser uma arma de gestão

Maio é um dos meses, tal como Abril, em que nascem mais crianças. São os chamados "frutos das férias", ou seja, cuja concepção foi entre Julho e Agosto.

Maio é também o mês do signo Touro. Um animal forte, que tem ganas, como dizem os nossos vizinhos espanhóis. Mas os nascidos neste mês primam também pela persistência, que pode transformar-se numa útil ferramenta de trabalho, fazendo o homem lutar pelos objectivos até ao fim.

A título de curiosidade, este mês faz 46 anos Carlos Martins, presidente da Martifer. O empreendedor que construiu um império do zero, tendo começado a trabalhar como trolha, e que precisou de hipotecar a própria casa para erguer a empresa. Hoje lidera uma multinacional.

10:11 Sábado, 23 de Mai de 2009






Suicídios dos executivos
Rosália Amorim

Se os líderes andavam deprimidos com toda esta crise, ainda vão ficar mais. Os escapes são vitais para conseguir sobreviver.

As depressões entre os executivos tendem a aumentar. O governo de José Sócrates actualizou as previsões económicas, antecipando um recuo do PIB (Produto Interno Bruto) de 3,4% e uma taxa de desemprego de 8,8% em 2009. Más notícias para as empresas e para a sociedade, em geral.

Recordando as palavras de um amigo Osteopata (sim, eu também sofro de dores nas costas como a maioria dos portugueses) cada vez há mais executivos e executivas a procurar terapias alternativas como forma de combate à depressão e ao stress.

Sem poder revelar os nomes, porque o sigilo profissional é de ouro, conta que chegam ao consultório mais homens e mulheres, que ocupam cargos de topo, com sintomas de depressão.

Sentem-se sem forças, cansados e com vontade de desistir. Procuram uma sessão de massagem e alongamentos, mas sobretudo uma conversa que lhes sirva para desabafar. Uma espécie de consulta de psicologia.

Nos anos 30, com a grande depressão, alguns banqueiros atiraram-se das janelas dos arranha céus de Nova Iorque. No último ano, Adolf Merckle pos fim à vida. A compra da construtora HeidelbergCement esteve na origem do trambolhão financeiro, agravado pela especulação com as acções da Volkswagen, que o levaram a ter perdas de quase mil milhões de euros.

Merckle não foi a única vítima da actual crise financeira. Em Dezembro, o francês Thierry Magon de la Villehuchet, 65 anos, co-fundador e conselheiro delegado da Access International Advisors, que geria um dos fundos afectados pela mega-fraude de Bernard Madoff, foi encontrado sem vida no seu escritório, em Nova Iorque. As provas apontam para suicídio. A sua empresa tinha investido 1,400 milhões de dólares no fundo de Madoff.

Bom, pelo menos este ano não se conhecem novos casos. Que as medicinas, alternativas ou não, os livrem dos suicídios.

17:41 Sexta-feira, 15 de Mai de 2009

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